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quarta-feira, 28 de maio de 2008

FOTOGRAFIAS DA LATA






Comecemos pelo início, que é o escuro da caixa (lata). Antes de tudo é preciso produzir o mais puro breu. O breu total. A escuridão absoluta, enclausurada pelas paredes da caixa. Depois vem o furo da agulha. Um furinho de nada, comunicando duas realidades distintas e complementares. Lá fora, o Mundo, tal como ele pensa que é. Aqui dentro, um mundo de mundos possíveis (e impossíveis). Pelo buraquinho, o dentro espia o fora. O Mundo lá fora parece não se dar conta, sempre envolvido com seus muitos afazeres e atribulações, de que é observado. No entanto, um olhar de voyeur atento e apaixonado não se cansa de espiar. Espiar o Mundo em sua distração cotidiana.
Através do furo da agulha o Mundo, transformado em luz, é sugado pelo escuro da caixa. A passagem da paisagem para dentro da caixa produz a sua metamorfose em imagem. Refeita em luminosidade etérea e radiante, a paisagem se torna visagem

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